10 conselhos de escrita de Zadie Smith

A jovem escritora britânica Zadie Smith foi convidada pelo The Guardian para dar 10 conselhos de escrita aos aspirantes. A reportagem incluiu ainda outros autores contemporâneos, mas a lista de Zadie se destaca por dosar poesia e conselhos práticos.

  1. Leia muitos livros na infância. Passe mais tempo com eles que com qualquer outra coisa.
  2. Depois de adulto, tente ler seu próprio trabalho como um estranho o leria, ou, melhor ainda, como um inimigo.
  3. Não romantize sua “vocação”. Ou você pode escrever boas frases ou não pode. Não existe um “estilo de vida escritor”. Tudo o que importa é o que você deixa em uma página.
  4. Evite suas fraquezas. Mas faça isso sem dizer a você mesmo que as coisas que você não consegue fazer não merecem ser feitas. Não mascare insegurança com desprezo.
  5. Deixe um bom espaço de tempo entre escrever e editar.
  6. Evite grupinhos e panelinhas. A presença de uma multidão não faz sua escrita melhor do que ela é.
  7. Trabalhe em um computador desconectado da internet.
  8. Proteja o tempo e o espaço nos quais você escreve. Mantenha todo mundo longe deles, mesmo as pessoas que são importantes para você.
  9. Não confunda honras com realizações.
  10. Diga a verdade através de qualquer véu que venha a mão – mas conte. Resigne-se com a tristeza interminável de nunca estar satisfeito.

Como os cenários e as histórias de Cartagena das Índias influenciaram García Márquez

Não, você não entrou no blog errado. Esse não é um post para o 360meridianos. É verdade que, esses dias mesmo, esse tema apareceu por lá. Montei um pequeno roteiro para fãs do Gabriel García Márquez com alguns cenários de seus livros e lugares que marcaram sua passagem por Cartagena das Índias. A pesquisa me mostrou a raiz de suas ideias, de como ele transformava pequenos casos e personagens da cidade em grandes história, e isso me fez refletir sobre o trabalho de escrita: absorver a realidade e transformá-la em palavras bonitas em um papel.

Continue reading

“Se você vai tentar aprender de outros escritores, não leia apenas os muito bons, porque se você fizer isso, você vai ser tão tomado pelo desespero e o medo de nunca ser capaz de fazer tão bem quanto eles que deixará de escrever. Eu recomendo que você leia um monte de coisas ruins também. É bastante encorajador. “Ei, eu posso fazer muito melhor que isso!”. Leia as melhores coisas, mas leia também as coisas que não são tão boas. Coisas excelentes são bastante desanimadoras.”
EDWARD ALBEE

Então, você quer ser um escritor? Poema de Charles Bukowski

se não vier explodindo de ti para fora
apesar de tudo,
não o faças.
a não ser que chegue sem tir-te nem guar-te do teu
coração e da tua mente e da tua boca
e das tuas entranhas
não o faças.
se tiveres de ficar sentado durante horas
fixando o ecrã do computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
à busca de palavras,
não o faças.
se o estás a fazer pelo dinheiro ou
pela fama,
não o faças.
se o estás a fazer porque queres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tiveres de te sentar a
rescrever tudo uma e outra vez,
não o faças.
se é uma carga de trabalhos só pensar no assunto,
não o faças.
se estás a tentar escrever como outra
pessoa,
esquece isso.

se tiveres de esperar que venha rugindo de
ti para fora,
então aguarda pacientemente.
se nunca vier rugindo de ti para fora,
faz outra coisa qualquer.

se antes tiveres de o ler à tua mulher
ou à tua namorada ou ao teu namorado
ou aos teus pais ou a quem quer que seja,
não estás pronto.

não sejas como outros tantos escritores,
não sejas como outros tantos milhares de
pessoas que se intitulam escritores,
não sejas monótono e aborrecido e
pretensioso, não te deixes consumir por amor-próprio.
as bibliotecas do mundo
de tanto bocejar
adormeceram
graças aos da tua laia.
não te juntes a eles.
não o faças.
a não ser que saia da
tua alma que nem um foguete,
a não ser que estar parado
te levasse à loucura ou
ao suicídio ou ao homicídio,
não o faças.
a não ser que o sol dentro de ti esteja
a queimar as tuas entranhas,
não o faças.

quando chegar verdadeiramente o momento,
e se tiveres sido eleito,
far-se-á
sozinho e assim continuará
até que morras ou até que morra em ti.

não existe outra maneira.

nem nunca houve.

Charles Bukowski

Tradução de João Coles

Sugestões criativas para Junho

  1. Vá a uma exposição ou visite um museu
  2. Faça um passeio fotográfico por sua cidade
  3. Prove uma comida de alguma tradição culinária que você ainda não conhece
  4. Invente uma receita
  5. Escreva algo em um gênero que você não escreve usualmente
  6. Monte um novo quadro no Pinterest com ideias de decoração ou para seu guarda-roupas
  7. Leia a biografia de alguém que você admira
  8. Faça uma pesquisa sobre alguma mitologia que te interesse
  9. Divirta-se com a Tabela Periódica do Storytelling e o TV Tropes, tentando identificar os padrões das suas histórias favoritas
  10. Assista a uma playlist temática no TED

Faz muito tempo que eu tenho aquele formulário de newsletter ali do lado. Desde o início do blog, acho. Durante todos esses anos, ele ficou ali. Recebeu uns poucos emails, gente que talvez esqueceu-se de que tinha assinado.

Na semana passada, finalmente deixei de procrastinar e enviei a primeira edição da Vírgulas Rebeldes, minha uma newsletter que se propõe a ser um exercício de escrita com um toque bastante pessoal. Se você não estava na lista, pode ler a primeira edição aqui. E, se gostar, não deixe de se inscrever para as próximas. 🙂

“Observe o que acontece hoje. Se encontrarmos um peixe, observe exatamente o que cada um faz. Se sentir um súbito alvoroço, uma excitação peculiar, quando vir o peixe saltar fora da água, reconstrua todas as suas recordações até perceber exatamente qual foi a ação que provocou em você aquela emoção.”

– Ernest Hemingway

Sobre não levar para-casa para a vida

Em 2014, eu decidi que leria um livro por semana. Para cumprir o objetivo, acabei  incluindo umas porcarias na lista. Ainda assim, falhei. Cheguei ao final do ano com 50 livros lidos porque, nas últimas semanas, eu simplesmente deixei tudo pra lá. Considerei, no entanto, a experiência um grande sucesso e resolvi que a adotaria para a vida.

Só que os dois anos seguintes foram completamente loucos. Mudei de país duas vezes. De casa, sete. Me apaixonei duas vezes e tive uma bela dor de cotovelo em uma delas. Fiz uma pós e aprendi outra língua. A velocidade da vida não acompanhava o ritmo de leitura e vi meu objetivo dos 52 livros ser reduzido em dezenas. Mas, tudo bem, não fosse a culpa. Eu me sentia culpada por não dar conta do meu próprio desafio. Um desafio que eu inventei pra mim porque, vejam só, ler é algo que me faz feliz.

Continue reading

10 desafios literários para acompanhar

Uma lista com livros essenciais da literatura universal viralizou há algumas semanas na internet. A chamada era pra lá de click-bait: “Somente 1% das pessoas já leram os livros dessa lista”, ou qualquer outra porcentagem absurda. O estranho era que todo mundo que compartilhou o resultado do teste já tinha lido os tais livros. Estratégias furadas para conseguir acesso aos dados de privacidade das pessoas ao fazer com que elas se sintam especiais existem aos montes, mas também há várias listas e desafios literários que valem a pena de verdade.

O legal de desafios literários é que, além de te incentivar a ler mais ao estabelecer uma meta, ajuda também a expandir nossas fronteiras literárias nos forçando a ler títulos que a gente não leria normalmente. Como eu sou meio inconstante, dificilmente consigo concluir uma lista dessas, mas já fui apresentada a diferentes autores e estilos só por entrar em contato com essas propostas de leitura.

Separei 10 desafios literários que rondam a internet e que eu achei que merecem uma chance na listinha de leitura. E sem essa de levar para-casa para a vida: não há nenhum problema em largar um desafio no meio ou trocá-lo por outro. O importante aqui é ler mais e se divertir.

Continue reading

La gente anda diciendo: coisas que ouvimos por aí

Quem nunca espichou a orelha para escutar a conversa dos outros? A curiosidade de Tatiana Goldman e Ezequiel Mandelbaum sobre o que um casal discutia na mesa ao lado, em um pequeno café em Buenos Aires, deu origem ao projeto La gente anda diciendo.  Hoje com quase 9 milhões de seguidores no Facebook, o projeto está presente também no Twitter e no Instagram e já rendeu dois livros com uma compilação de frases ditas por anônimos nas ruas, ônibus e estações de metrô na Argentina, Uruguai, Brasil, Colômbia, Espanha e qualquer outro lugar do mundo onde alguém com um bom ouvido e uma caneta escute alguma pérola da sabedoria de meio-fio.

As frases colecionadas se transformam em haikus espontâneos, mostrando toda a poesia contida em nossas conversas de dia-a-dia. Tiradas de contexto, deixam espaço para que imaginemos as histórias desses personagens anônimos e dizem muito e nada ao mesmo tempo. “A primeira frase que compartilhamos entre as que nos enviaram era de um casal que caminhava pela rua. O senhor dizia a sua mulher: Marta, temos que comprar um bíblia. Talvez agora essa frase já não nos interessaria, mas pensamos: que louco, vão fazer um exorcismo, o que aconteceu com eles…?” disse Ezequiel em entrevista ao Traveller.es.


La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

« Older posts

© 2018 Oxford Comma

Theme by Anders NorenUp ↑