“Eu tenho tentado entender o que é escrever bem. Eu reconheço uma boa escrita quando eu leio o trabalho das outras pessoas ou o meu próprio. O mais próximo que eu cheguei foi que existe um ritmo para escrever, nas frases e nos parágrafos. Quando o ritmo não está bom, é difícil ler o texto. É bem parecido com a música nesse sentido; existe um ritmo interno que faz o trabalho da leitura por você. É quase como se o texto se lesse sozinho. E isso é difícil de ensinar às pessoas. Se você não escuta música, você nunca vai escutar isso. O ritmo interno da frase ou do parágrafo, esse é o DNA da escrita. Isso é o que uma boa escrita é.”

– SEBASTAIN JUNGER

Como surgem as boas ideias?

A gente costuma pensar que as boas ideias surgem de um momento de epifania. Nesse Ted-Talk, Steven Johnson rebate essa noção e nos conta um pouco da importância das “redes líquidas” ou da troca de ideias para o amadurecimento das mesmas. Os momentos de “Eureka!” não surgem tão do nada quanto parecem, passam por um longo período de maturação antes de emergirem como uma grande ideia.

A Rebelião das Horas

Nas prateleiras da velha loja empoeirada do centro, já não havia mais espaço para nenhuma outra engrenagem, ampulheta ou cuco que fosse. As peças, acumuladas durante as décadas e décadas que se passaram desde que os Zeitnehmer começaram a se dedicar à arte de consertar relógios, formavam uma coleção inusitada que passava por diferentes estilos de época e utilidades. Justo ao lado de um imponente relógio de parede ao qual faltavam os ponteiros, era possível encontrar um tedioso relógio de ponto que algum dia atormentou trabalhadores em uma fábrica qualquer. Hoje, eles serviam apenas para acumular poeira, aposentados da exaustante tarefa de tiquetaquear junto ao tempo.

Magno Zeitnehmer herdou a loja de seu pai, que a herdou de seu avô. Tivesse ele filhos, passaria o oficio adiante, mas a vida não lhe deu essa sorte e, agora, ele se via obrigado a fechar o pequeno atelier em breve. Suas mãos trêmulas já não eram capazes da mesma precisão no consertos mais delicados, sua vista falhava em enxergar as peças menores e os clientes eram cada vez mais raros. Não era incomum que se passassem dias e dias sem que a sineta da porta de entrada soasse trazendo um trabalho novo. Só havia resistido até ali porque, é verdade, era o único que ainda fazia esse tipo de reparo em relógios antigos em toda São Paulo.

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Aqui está um truque simples para fazer mais gente ler o que você escreve: escreva em linguagem falada. Alguma coisa acontece com a maioria das pessoas quando elas começam a escrever. Elas escrevem de uma forma diferente da que elas usam quando estão falando com um amigo. A estrutura da frase e até mesmo as palavras são diferentes. Ninguém usa “pen” como um verbo no inglês falado. Você se sentiria idiota se falasse “pen” em vez de “write” em uma conversa com um amigo.

PAUL GRAHAM

Como escrever descrições e criar ficção que ganha vida

Já reparou que algumas descrições literárias ganham mais vida em nossas mentes que outras? Nesse vídeo do TED-Ed, temos alguns insights de como tornar nossos cenários, personagens e sentimentos mais palpáveis para os leitores na hora de colocá-los no papel. Abaixo seguem algumas transcrições das minhas partes favoritas.

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As 22 regras da Pixar para contar uma boa história

Em 2011, uma ex-funcionária da Pixar chamada Emma Coats twittou uma série de princípios e ideias sobre Storytelling que, mais tarde, foram compilados em uma lista que começou a rodar a internet sob o nome de “As 22 duas regras da Pixar sobre Storytelling”.

Segundo ela, os tweets surgiram a partir de coisas que ela aprendeu com os diretores e colegas de trabalho da Pixar e também durante o exercício de sua profissão.  E, verdade seja dita, poucas empresas se igualam à Pixar na arte de criar histórias envolventes e emocionantes para todas as idades.

Procurando Nemo - Pixar

Abaixo, você encontra a série de tweets compilados e traduzidos para o português. Mas quem quiser se aprofundar um pouco mais, pode clicar aqui e baixar um PDF com as “22 regras da Pixar” analisadas pelo escritor Stephan Vladimir Bugaj, um e-book de distribuição gratuita que eu recebi quando fiz o curso online The Future of Storytelling (em inglês).

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“Escritores vivem duas vezes. Eles seguem com a vida normal, são tão rápidos quanto qualquer outra pessoa no supermercado, atravessam a rua, se arrumam para o trabalho de manhã. Mas existe uma outra parte deles que eles têm treinado: aquela que vive tudo uma segunda vez.”
– Natalie Goldberg, em Escrevendo com a Alma

Como escrever 1500 palavras antes do café da manhã

Stephen King conta, em seu manual de escrita autobiográfico On Writing (sobre a escrita, em português), que quando ele descobriu que, se escrevesse uma página por dia, teria um livro pronto ao fim de um ano foi libertador. Pensar no processo de criação literária dessa forma transformava algo que parecia absurdamente complicado em uma tarefa simples, diária e constante.

De fato, um livro é um projeto como qualquer outro. É preciso quebrá-lo em pedacinhos e passos simples e realizáveis para que o caminho se desvende para nós. Todos os escritores renomados que já falaram sobre o seu processo criativo sempre batem na tecla de que é preciso consistência: escrever todo dia, independente de inspiração ou vontade, parece ser a chave para tornar-se um escritor. Criar o hábito de trabalhar em seus projetos de escrita é a única coisa que vai fazer com que eles saiam do papel (ou, nesse caso, sejam colocados no papel).

E estou falando isso aqui para ver se me convenço disso também, ok? Não sou a rainha da disciplina para nada na minha vida. Por isso, para motivar a gente a sentar a bunda na cadeira todo santo dia e parar de sonhar com escrever para de fato escrever, segue um fragmento do autobiografia de Anthony Trollope, um escritor britânico do século 19 que trabalhava todos os dias, durante 30 anos, como funcionário público e ainda conseguiu encontrar ânimo e tempo para deixar 47 romances publicados, além de peças de teatro, relatos de viagem, biografias, ensaios e contos. (Tradução livre)

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“Escrever. Mas talvez não diretamente: os acontecimentos precisam um pouco de tempo para tornarem-se palavra. Como se seu sentido, e inclusive sua forma, devessem recorrer um longo caminho interior antes de encontrar sua coesão.”
– Julio Cortazar

A poesia falada de Sarah Kay

“Agora eu sei que a regra número 1 para ser interessante é parecer inabalável, nunca admitir que algo o amedronta ou o impressiona ou o entusiasma. Alguém uma vez me disse que é como caminhar pela vida assim. Você se protege de todos os sofrimentos inesperados ou mágoas que possam surgir. Mas eu tento caminhar pela vida assim. E sim, isso significa ir pegando todas os sofrimentos e mágoas, mas também significa que quando lindas, maravilhosas coisas simplesmente caem do céu, eu estou pronta para pegá-las. Uso poesia falada para ajudar meus alunos redescobrir o encantamento, combater seus instintos de ser o interessante e inabalável e, ao contrário, ativamente se envolver com o que está ao seu redor, para que possam reinterpretar e criar algo disso.”

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