Author: Natália Becattini (page 1 of 13)

Novo canal no Medium

Vocês já devem ter reparado, mas vou afirmar o óbvio mesmo assim: tem sido muito difícil, ao longo desses anos, manter esse espacinho aqui bem nutrido da forma como eu gostaria. Cuidar de um blog não é tarefa fácil, de dois, então, é loucura. Eu bem que avisei lá no texto que inaugura o Comma que corria o risco de eu não dar conta.

Por isso, ao longo das últimas semanas, transferi o conteúdo que eu considerei mais relevante daqui para o meu canal no Medium. A plataforma me permite publicar meus texto como num blog, porém sem muito a mão de obra que está por trás de manter um espaço desses em pé. É escrever e publicar, como a gente costumava fazer na internet de antigamente, e acho que é isso que eu estou precisando no momento. Se você gostava desse espaço aqui, mesmo com essa dieta hipocalórica de palavras à qual submeti o Comma nos últimos tempos, peço que me siga por lá e, se quiser, também dê uma forcinha lá no Instagram e na newsletter, espaços que eu vou continuar usando para falar da vida, da escrita e do que passa aqui dentro.

Grande Magia: lições para uma vida criativa por Elizabeth Gilbert

A carreira de Elizabeth Gilbert parece ser cercada de polêmicas. O romance que a colocou sob os holofotes, Comer, Rezar e Amar,  vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo mundo e chegou a impulsionar a peregrinação aos países visitados pela personagem no livro, pessoas que seguiam os passos da autora na busca de se encontrar. Por outro lado, despertou o mais autêntico ódio entre os críticos, que argumentavam que o livro não passa de um romance de auto-ajuda que induz os leitores a acreditar que uma passagem de avião é a resposta para qualquer problema. Anos mais tarde, em seu livro Grande Magia: Vida Criativa Sem Medo, a autora volta a despertar sentimentos de devoção e desprezo na mesma medida.

Em uma abordagem um tanto mística da criatividade, Gilbert começa seu livro com a premissa de que ideias são seres com vontade própria que habitam nosso universo e que, portanto, não temos nenhum controle sobre elas, argumento que já foi tópico de um de seus muito aclamados TED-Talks.

“Ideias não tem corpo material, mas elas têm consciência e muito provavelmente também agência”, ela diz em algum ponto do livro. Enxergar as ideias dessa forma, segundo ela, ajuda a tirar de nós, meros receptáculos, o peso de ter aquela grande ideia que vai mudar o mundo e nos deixa mais livres para trabalhar com o que temos em mãos. Esse tipo de abordagem pouco usual da criatividade  pode ser comparada ao “Segredo” da vida criativa, em que boas ideias vão se manifestar nas pessoas que estão abertas e possuem a atitude correta para isso.

Polêmicas metafísicas de lado,  Grande Magia tem sim alguns bons conselhos para aqueles que sentem a necessidade de preencher suas vidas com um caminho criativo. Elizabeth defende que que todos nós podemos ter uma vida criativa, desde que nos permitamos ser guiados pela curiosidade e abandonemos o medo do fracasso. Para ela, é preciso tirar o foco dos resultados e das críticas e colocá-lo no processo: encontrar algo que nos dê prazer e nos dedicarmos a isso por nenhum outro motivo além do fato de que nos divertimos ao fazê-lo parece bastante razoável, seguindo aquela linha de conselho de que não precisamos ser bons naquilo que gostamos. Tocar violão, escrever poesia, cultivar um jardim em casa ou tomar aulas de patinação artística sem esperar ganhar medalhas, apenas porque aquela atividade te motiva e diverte é a principal mensagem do livro. Se no meio de tudo isso, você acabar fazendo algo que as outras pessoas gostem também, bom, aí é lucro. “Quando você faz isso, sua vida, dia após dia, se expande e se torna mais interessante”, diz a autora.

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Musica Simples

Tem dias que o ouvido da gente só aceita uma música.

Pode ser uma frase, uma batida ou um refrão, mas alguma coisa ali passa a vibrar em consonância com a gente e não dá para sair do repeat. Porque ali está exatamente o que a gente queria dizer ou a trilha sonora exata praquilo que a gente tá vivendo.

Faz uns dois dias que eu fui rever uns episódios de How I Met Your Mother e escutei lá no fundo essa canção. Não toca outra coisa na minha lista do Spotify.

Sugestões criativas para Julho

  1. Começar o desafio trimestral do Artist’s Way, da Julia Cameron, para dar um gás nas ideias
  2. Escrever uma poesia em outra língua (mesmo que você não seja fluente)
  3. Ler um livro por semana
  4. Contar o que te faz bem no dia a dia no desafio #diagostosinho , no instagram da Isa-dorable
  5. Começar uma atividade física para oxigenar o sangue e a mente
  6. Fazer um piquenique
  7. Criar o mapa de um mundo ficcional
  8. Fazer um projeto DIY para decorar algum cômodo da sua casa
  9. Escreva um conto sem revelar o gênero do personagem principal
  10. Fazer um retiro de escrita e passar o fim de semana completamente desconectado
Minha receita para curar o bloqueio do escritor é encarar o fato de que isso não existe. É uma condição inventada, um versão literária da desculpa judicial. Escrever bem é difícil, mas sempre é possível escrever algo. E depois, com um monte de trabalho, torná-lo melhor. É uma questão de ter desejo e ambição suficientes, não de esperar superar essa histeria misteriosa da qual as pessoas tanto falam.
– THOMAS MALLON

10 conselhos de escrita de Zadie Smith

A jovem escritora britânica Zadie Smith foi convidada pelo The Guardian para dar 10 conselhos de escrita aos aspirantes. A reportagem incluiu ainda outros autores contemporâneos, mas a lista de Zadie se destaca por dosar poesia e conselhos práticos.

  1. Leia muitos livros na infância. Passe mais tempo com eles que com qualquer outra coisa.
  2. Depois de adulto, tente ler seu próprio trabalho como um estranho o leria, ou, melhor ainda, como um inimigo.
  3. Não romantize sua “vocação”. Ou você pode escrever boas frases ou não pode. Não existe um “estilo de vida escritor”. Tudo o que importa é o que você deixa em uma página.
  4. Evite suas fraquezas. Mas faça isso sem dizer a você mesmo que as coisas que você não consegue fazer não merecem ser feitas. Não mascare insegurança com desprezo.
  5. Deixe um bom espaço de tempo entre escrever e editar.
  6. Evite grupinhos e panelinhas. A presença de uma multidão não faz sua escrita melhor do que ela é.
  7. Trabalhe em um computador desconectado da internet.
  8. Proteja o tempo e o espaço nos quais você escreve. Mantenha todo mundo longe deles, mesmo as pessoas que são importantes para você.
  9. Não confunda honras com realizações.
  10. Diga a verdade através de qualquer véu que venha a mão – mas conte. Resigne-se com a tristeza interminável de nunca estar satisfeito.

Como os cenários e as histórias de Cartagena das Índias influenciaram García Márquez

Não, você não entrou no blog errado. Esse não é um post para o 360meridianos. É verdade que, esses dias mesmo, esse tema apareceu por lá. Montei um pequeno roteiro para fãs do Gabriel García Márquez com alguns cenários de seus livros e lugares que marcaram sua passagem por Cartagena das Índias. A pesquisa me mostrou a raiz de suas ideias, de como ele transformava pequenos casos e personagens da cidade em grandes história, e isso me fez refletir sobre o trabalho de escrita: absorver a realidade e transformá-la em palavras bonitas em um papel.

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“Se você vai tentar aprender de outros escritores, não leia apenas os muito bons, porque se você fizer isso, você vai ser tão tomado pelo desespero e o medo de nunca ser capaz de fazer tão bem quanto eles que deixará de escrever. Eu recomendo que você leia um monte de coisas ruins também. É bastante encorajador. “Ei, eu posso fazer muito melhor que isso!”. Leia as melhores coisas, mas leia também as coisas que não são tão boas. Coisas excelentes são bastante desanimadoras.”
EDWARD ALBEE

Então, você quer ser um escritor? Poema de Charles Bukowski

se não vier explodindo de ti para fora
apesar de tudo,
não o faças.
a não ser que chegue sem tir-te nem guar-te do teu
coração e da tua mente e da tua boca
e das tuas entranhas
não o faças.
se tiveres de ficar sentado durante horas
fixando o ecrã do computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
à busca de palavras,
não o faças.
se o estás a fazer pelo dinheiro ou
pela fama,
não o faças.
se o estás a fazer porque queres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tiveres de te sentar a
rescrever tudo uma e outra vez,
não o faças.
se é uma carga de trabalhos só pensar no assunto,
não o faças.
se estás a tentar escrever como outra
pessoa,
esquece isso.

se tiveres de esperar que venha rugindo de
ti para fora,
então aguarda pacientemente.
se nunca vier rugindo de ti para fora,
faz outra coisa qualquer.

se antes tiveres de o ler à tua mulher
ou à tua namorada ou ao teu namorado
ou aos teus pais ou a quem quer que seja,
não estás pronto.

não sejas como outros tantos escritores,
não sejas como outros tantos milhares de
pessoas que se intitulam escritores,
não sejas monótono e aborrecido e
pretensioso, não te deixes consumir por amor-próprio.
as bibliotecas do mundo
de tanto bocejar
adormeceram
graças aos da tua laia.
não te juntes a eles.
não o faças.
a não ser que saia da
tua alma que nem um foguete,
a não ser que estar parado
te levasse à loucura ou
ao suicídio ou ao homicídio,
não o faças.
a não ser que o sol dentro de ti esteja
a queimar as tuas entranhas,
não o faças.

quando chegar verdadeiramente o momento,
e se tiveres sido eleito,
far-se-á
sozinho e assim continuará
até que morras ou até que morra em ti.

não existe outra maneira.

nem nunca houve.

Charles Bukowski

Tradução de João Coles

Sugestões criativas para Junho

  1. Vá a uma exposição ou visite um museu
  2. Faça um passeio fotográfico por sua cidade
  3. Prove uma comida de alguma tradição culinária que você ainda não conhece
  4. Invente uma receita
  5. Escreva algo em um gênero que você não escreve usualmente
  6. Monte um novo quadro no Pinterest com ideias de decoração ou para seu guarda-roupas
  7. Leia a biografia de alguém que você admira
  8. Faça uma pesquisa sobre alguma mitologia que te interesse
  9. Divirta-se com a Tabela Periódica do Storytelling e o TV Tropes, tentando identificar os padrões das suas histórias favoritas
  10. Assista a uma playlist temática no TED
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