Author: Natália Becattini (page 1 of 11)

La gente anda diciendo: coisas que ouvimos por aí

Quem nunca espichou a orelha para escutar a conversa dos outros? A curiosidade de Tatiana Goldman e Ezequiel Mandelbaum sobre o que um casal discutia na mesa ao lado, em um pequeno café em Buenos Aires, deu origem ao projeto La gente anda diciendo.  Hoje com quase 9 milhões de seguidores no Facebook, o projeto está presente também no Twitter e no Instagram e já rendeu dois livros com uma compilação de frases ditas por anônimos nas ruas, ônibus e estações de metrô na Argentina, Uruguai, Brasil, Colômbia, Espanha e qualquer outro lugar do mundo onde alguém com um bom ouvido e uma caneta escute alguma pérola da sabedoria de meio-fio.

As frases colecionadas se transformam em haikus espontâneos, mostrando toda a poesia contida em nossas conversas de dia-a-dia. Tiradas de contexto, deixam espaço para que imaginemos as histórias desses personagens anônimos e dizem muito e nada ao mesmo tempo. “A primeira frase que compartilhamos entre as que nos enviaram era de um casal que caminhava pela rua. O senhor dizia a sua mulher: Marta, temos que comprar um bíblia. Talvez agora essa frase já não nos interessaria, mas pensamos: que louco, vão fazer um exorcismo, o que aconteceu com eles…?” disse Ezequiel em entrevista ao Traveller.es.


La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

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La gente anda diciendo

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La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

La gente anda diciendo

“Talento é insignificante. Eu conheço um monte de talentos arruinados. Para além do talento estão todas as essas palavras habituais: disciplina, amor, sorte e, mais que tudo, perseverança”.

– James Baldwin

3 podcasts sobre escrita para autores, blogueiros, roteiristas e escrivinhadores de plantão

Daí que eu descobri a magia dos podcasts. Por muito tempo resisti a esse chamado por motivos de teimosia falta de tempo, mas acabei me rendendo e estou encantada com o mundo de possibilidades que se abriram. Eu sempre tive problema com longos trajetos de ônibus porque sou incapaz de manter o olho no livro e a comida no estômago ao mesmo tempo quando estou em movimento. Por isso usava esse tempo para ouvir música e pensar na vida. Não nego, muitos devaneios esclarecedores e soluções para salvar o mundo já saíram desses momentos, mas com os podcasts esses momentos ficaram ainda mais felizes.

Nessa descoberta, acabei trombando com alguns podcasts sobre escrita como profissão, técnicas, criatividade e mercado literário. Tá aí:

Curta Ficção

Comandado pelos escritores Thiago Lee, Jana P. Bianch e Rodrigo Assis Mesquita, traz dicas para escritores e entrevistas com profissionais do mercado em episódios de mais ou menos 30 minutos que passam voando.

Escute o Curta Ficção.

Gente que Escreve

É talvez o mais conhecido das paradas e eu já até citei ele aqui no Comma. O Gente que Escreve traz as dicas de Fábio Barreto e Rob Gordon sobre diversos temas relacionados à escrita. Os assuntos passam pelo mercado editorial, a carreira de escritor, como escrever melhor, como conseguir ser publicado e muito mais. Dois veteranos do mundo das palavras que têm muito a ensinar.

Escute o Gente que Escreve.

Os 12 Trabalhos do Escritor

Sempre em formato de entrevista com pessoas do meio literário, A.J. Oliveira esclarece conceitos e os caminhos na vida de um escritor.

Escute Os 12 Trabalhos do Escritor.

“De onde você tira suas ideias?”: Neil Gaiman sobre seu processo criativo

“Cada profissão tem suas armadilhas. Médicos, por exemplo, sempre são perguntados por conselhos de saúde grátis, advogados recebem pedidos de informações legais, coveiros sempre escutam como sua profissão deve ser interessante e depois disso as pessoas mudam de assunto rapidamente. E escritores precisam responder de onde eles tiram suas ideias.

No começo, eu costumava dar respostas não muito divertidas, impertinentes: “Do Clube das Ideias do Mês”, eu dizia, ou “Da pequena loja de ideias em Bognor Regis”, “De um velho livro empoeirados cheio de ideias no meu porão”, ou mesmo “De Pete Atkins”. (A última é um pouco esotérica, e pode requerer alguma explicação. Pete Atkins é um roteirista e novelista amigo meu, e nós decidimos há algum tempo que quando nos perguntassem, eu diria que tirava as ideias dele e ele de mim. Parecia fazer sentido na época).

Então eu me cansei dessas respostas não tão engraçadas, e agora eu digo a verdade:

“Eu invento”, eu digo “da minha cabeça”.

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“A qualquer momento, não importa onde você esteja, há centenas de coisas há sua volta que são interessantes e que valem a pena documentar”

– KERI SMITH

Um livro de cada país do mundo

Há uns anos, a Camila Navarro, blogueira do Viaggiando, começou um projeto interessantíssimo chamado 198 Livros. Inspirada por uma escritora inglesa, ela se propôs a ler um livro de cada país do mundo como uma forma de aumentar seu repertório de escritores, de pontos de vida e de narrativas sobre determinadas partes do planeta. Assim que eu fiquei sabendo do projeto, me empolguei também e fui logo sortear um número de 1 a 200 para decidir qual seria minha próxima leitura. A sorteada foi a a Palestina e eu mergulhei nas páginas de Mornings in Jenin, da escritora Susan Abulhawa, o que me ajudou a entender melhor o conflito e a situação das pessoas que vivem naqueles lados.

Eu, no entanto, não queria assumir esse objetivo em público. Em primeiro lugar porque é o tipo de coisa que eu demoraria anos para acabar e corria o maior risco de largar mão na metade. Mesmo assim, sempre que eu lia um livro que se encaixava nos meus critérios de uma volta ao mundo literária, eu ia lá e riscava o país da minha lista. Foram poucos até agora, 14 só. Porque né, eu vivo metendo outras leituras que não tem nada a ver com essa meta no meio (e não vou parar com isso). No entanto, o objetivo de fechar a lista continuou rondando minha cabeça.

Quando eu escrevi o post sobre as coisas que eu queria alcançar nessa minha nova década de vida, mencionei que gostaria de ler um livro de cada país do mundo e a leitora Tamires pediu nos comentários para que eu compartilhasse a lista aqui. Aí está.

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Sugestões criativas para fevereiro

  1. Faça você mesmo uma fantasia de carnaval do zero
  2. Escreva uma mini-biografia sobre uma pessoa que você não conhece
  3. Comece uma coleção nova
  4. Crie um personagem inspirado em alguém que você conhece
  5. Pesquise ideias para uma tatuagem que você goste, mesmo que você não tenha intenção de fazê-la
  6. Comece a aprender algo totalmente novo (uma língua, instrumento, desenho, pintura…_)
  7. Leia sobre uma celebração ou ritual de uma cultura diferente
  8. Assista a três documentários sobre temas diferentes
  9. Entre em contato com o trabalho de algum artista que você não conhecia
  10. Faça um ensaio fotográfico sobre um tema presente no seu cotidiano

Leia mil livros e suas palavras vão fluir como um rio.

– Virgínia Woolf

10 dicas de escrita de Henry Miller, Elmore Leonard, Margaret Atwood, Neil Gaiman e George Orwell

Uma boa forma de aprender qualquer coisa é aproveitando os anos de conhecimento e experiência de gente absolutamente genial naquela arte. Aqui estão alguns top 10 (ou top 6. Ou 7. Ou 8) com os melhores conselhos de alguns veteranos da literatura, colecionados pelo site Open Culture e traduzidos por mim (por isso, desculpe qualquer coisa).

Dicas de escrita de Henry Miller

Henry Miller (de seu livros Henry Miller on Writing)

1. Trabalhe em apenas uma coisa até que você termine.
2. Não comece novos livros nem adicione novo material a “Black Spring” (livro).
3. Não fique nervoso. Trabalhe, calma, alegre e irresponsavelmente com o que quer que esteja nas suas mão naquele momento.
4. Trabalhe de acordo com o seu planejamento e não de acordo com o seu humor. Pare na hora programada.
5. Quando você não pode criar, não pode trabalhar.
6. Semeie um pouquinho a cada dia em vez de usar novos fertilizantes.
7. Mantenha-se humano! Veja pessoas, vá a lugares, beba se tiver vontade.
8. Não seja um cavalo de carga! Só trabalhe com prazer.
9. Descarte o planejamento quando tiver vontade, mas volte a ele no dia seguinte. Concentre-se. Estabeleça limites. Exclua.
10. Esqueça os livros que você quer escrever. Pense apenas no livro que você está escrevendo.
11. Escrever vem primeiro. Pintura, música, cinema, tudo isso vem depois.

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Os três livros favoritos de 2018

Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur

Outros jeitos de usar a boca, rupi kaur

Acho que esse foi o único livro que eu li duas vezes no mesmo dia. Devorei pela primeira vez no ônibus, ao voltar da livraria para casa. A segunda, logo que terminei e abri na primeira página outra vez. Chorei o tempo inteiro. A experiência de ser mulher no século 21, abuso, começos e términos, nossa relação com o corpo e os padrões irreais de beleza são alguns dos assuntos abordados em Outros Jeitos de Usar a Boca (Milk and Honey). Os versos livres e fragmentados de Rupi tocam em temas delicados, ora com sutileza, ora direto na ferida. Ela é a mais famosa instapoet da atualidade, conhecida por divulgar seu trabalho principalmente nas redes sociais. Você pode provar um pouquinho da sua poesia no instagram @

O Livro dos Abraços, Eduardo Galeano

O Livro dos Abraços, Eduardo Galeano

Eu custei a deixar o Galeano entrar na minha vida, algo que considero uma falha imperdoável na minha formação humana. 2017, no entanto,  foi o ano dele. Devorei As Veias Abertas da América Latina, Giramundo, O Livro dos Abraços. O último foi meu favorito. Desses para gente ter na cabeceira e abrir em uma página aleatória sempre que a vida pedir umas palavras de consolo ou inspiração.

Vozes de Tchernobyl, Svetlana Alexievich

Vozes de Tchernobil

Em 2016, eu reencontrei meu amor pelo jornalismo, mas foi no ano passado que eu me dediquei a ler alguns bons livro-reportagem que estavam a tempos na lista. Vozes de Tchernóbil, da prêmio nobel Svetlana Aleksiévitch, foi o que mais me tocou. Através de relatos comoventes dos sobreviventes da catástrofe nuclear, ela reconta essa história desde a perspectiva do impacto que ela teve na vida de cada um. Svetlana afirma que não faz jornalismo, já que vai além dos números e fatos para falar da alma das pessoas. Eu discordo. Acredito que ela é uma das poucas que captou a verdadeira função do repórter na atualidade.

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