Category: Música

Precisei de um tempo para me ajustar à nova cidade, à nova rotina e à nova vida. Tem um milhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo aqui em Buenos Aires e por isso foi preciso um tempinho para que tudo chegasse em seu lugar. Como no 360meridianos a locomotiva não para, acabou que foi esse bloguinho aqui que ficou pra escanteio.

Tenho aprendido bastante espanhol desde que eu fui salva de um desastre social por causa de um ataque de pulgas e me mudei de uma casa muito estranha para um hostel cheio de gente boa. E, para me ajudar nesse propósito, eu comecei ontem a pesquisar músicas em espanhol para deixar a playlist que me acompanha pelas ruas mais latina.

Hoje, no entanto, minha indicação aqui continua anglofônica.  É que fui apresentada a essa versão de Blank Space – aquela mesmo, da Taylor Swift – cantada pelo Imagine Dragons e estou apaixonada. Eu já gostava da música original porque acho a melodia muito legal, aquele chicletes agradáveis de ouvir. Mas, sim, dava para ficar melhor. E ficou.

Muito antes de Tim Burton resolver se perder no País das Maravilhas, Alice já dava suas voltinhas no cinema. Mas mais de um século antes, em 1903, quando não existiam tantos efeitos visuais e muito menos cinema 3D, o livro Alice´s Adventures in Wonderland foi adaptado para o cinema. A produção tem 12 minutos, mas apenas 8 deles foram recuperados pelo BFI National Archive.

Confira também o clipe da música Tea Party, da estoniana Kely Köiv, que faz parte da trilha promocional da versão do Tim Burton, Almost Alice.

Hero, de family of the year, faz parte da trilha sonora do filme Boyhood e, por algum motivo, combina com minha primeira segunda-feira em Buenos Aires, que amanheceu cinza e fria. Cheguei à cidade na tarde de ontem, para uma temporada de quatro meses. É a primeira vez que eu fico tanto tempo longe de todo mundo que eu conheço em anos, talvez sempre.

Let me go
I don’t wanna be your hero
I don’t wanna be a big man
Just wanna fight with everyone else

Your masquerade
I don’t wanna be a part of your parade
Everyone deserves a chance to
Walk with everyone else

While holding down
A job to keep my girl around
And maybe buy me some new strings
And her a night out on the weekend

And we can whisper things
Secrets from our American dreams
Baby needs some protection
But I’m a kid like everyone else

Assim que eu resolvi que iria reacender meu relacionamento com a música, eu baixei e instalei o Spotify em todos os meus dispositivos. Eu já tinha tentado usar o aplicativo antes, mas nosso entrosamento não foi dos melhores no início. Exigiu alguma persistência até que a gente se entendesse e eu passei alguns dias apanhando até eu descobrir que minha conta foi registrada em Buenos Aires e que, por isso, o uso do serviço no Brasil era limitado. Bastou trocar a nacionalidade para que as coisas corressem mais macias entre nós.

Eu logo me inscrevi em diversas playlists que pareceram interessantes, ávida por relembrar romances musicais antigos e descobrir novos. Essa música foi uma das primeiras que o Spotify me apresentou e uma das primeiras a balançar meu coração. Já na primeira vez que escutei, inclui na minha lista de favoritas e ainda sinto uma alegriazinha surgir toda vez que os acordes iniciais chegam aos meus ouvidos. Espero que gostem!

Lay me on my back a little and put my hat on my head
I want to sleep out with the stars, not in the dark with the dead
When I’m ready I’ll give you the sign, you can gather me up like a quilt
Tell my mother I tried, tell my cousin I lied; I was holding your hand out of guilt

They never paid my way – I bought it
I never stole your heart – I sought it
I never knew my place anyway

Cover me up with a thousand whispers and shuffle me into the night
Whistle and hum to the traffic rum, calling us closer to the edge of the light
Tell me tales that win my faith and be my champion of dreams
I don’t want to forget the day I left for America and things came apart at the seams

– Left for America, Ciaran Lavery

O amor e a desilusão amorosa sempre  foram protagonistas de nossas manifestações artísticas,  porque, de uma forma mórbida e bizarra, sofrimento é poesia. E há décadas a música pop procura exprimir em palavras toda a angústia, a solidão e a ansiedade que sentimos.

“O que veio primeiro, a música ou a dor? Eu ouvia a música porque estava infeliz? Ou estava infeliz porque ouvia a música? Esses discos todos transformam você numa pessoa melancólica?

Ninguém se preocupa com o fato das crianças ouvirem milhares – literalmente milhares – de canções sobre amores perdidos e rejeições e dor e infelicidade e perda. As pessoas afetivamente mais infelizes que eu conheço são as que mais gostam de música pop;  e não sei se foi a música pop que causou tal infelicidade, mas sei que elas vêm ouvindo as canções tristes há mais tempo do que vêm vivendo suas vidas infelizes.”

– Alta Fidelidade, Nick Hornby

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Estou tentando reaquecer meu relacionamento com a música. Não que a gente tenha terminado algum dia, mas a paixão esfriou e caiu na rotina. E, nesse esforço de deixar a chama mais viva, acabei entre lembranças dos velhos tempos, das descobertas e dos dias em que eu colocava uma canção para tocar até corromper o arquivo. Essa música foi um desses casos de amor.

So tell me what’s going on with graniteville
got your whole town under the sleeping pill
It’s a quiet little city, you grew up together
there’s a picture looking out your grandmother’s window
there’s a black train running through the middle of the night,
if it finds us here, well there’s nowhere to hide
And if we ever wake up in graniteville,
you know how much I love you and I always will

– Doug Burr, Graniteville

 

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