Category: Crônicas de Boteco

Sobre não levar para-casa para a vida

Em 2014, eu decidi que leria um livro por semana. Para cumprir o objetivo, acabei  incluindo umas porcarias na lista. Ainda assim, falhei. Cheguei ao final do ano com 50 livros lidos porque, nas últimas semanas, eu simplesmente deixei tudo pra lá. Considerei, no entanto, a experiência um grande sucesso e resolvi que a adotaria para a vida.

Só que os dois anos seguintes foram completamente loucos. Mudei de país duas vezes. De casa, sete. Me apaixonei duas vezes e tive uma bela dor de cotovelo em uma delas. Fiz uma pós e aprendi outra língua. A velocidade da vida não acompanhava o ritmo de leitura e vi meu objetivo dos 52 livros ser reduzido em dezenas. Mas, tudo bem, não fosse a culpa. Eu me sentia culpada por não dar conta do meu próprio desafio. Um desafio que eu inventei pra mim porque, vejam só, ler é algo que me faz feliz.

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Infinitas coisas para fazer depois dos 30

Fiz 30 anos. E não, não surtei nem um pouco. Uns dois dias antes eu disse pros meus amigos que precisava ir a um estúdio fazer outra tatuagem e colocar um piercing no septo nasal enquanto ainda estava nos vinte. “Depois fica meio estranho”. Bateu a preguiça e não fui, mas ainda quero fazer outras muitas tatuagens e talvez colocar um piercing se eu superar meu medo de agulhas. Acordei no dia do meu aniversário como se fosse nada, e tudo seguia igual. Eu continuo sentindo que esse mundo de adulto é um monte de gente correndo em círculos sem saber o que está acontecendo. Minhas roupas ainda têm alguma pegada adolescente e eu ainda escuto Dashboard Confessional para curar uma bad, mas só às vezes. E tudo bem. Depois que a gente cresce a gente descobre que o mundo tem muitos “pode” e “não pode” para tudo-quanto-é-coisa e que ou você desencana deles e vive sua vida ou não é feliz.

 

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2017, que tal? Planos, resoluções e uma promessa

Eu gosto de pensar os últimos 18 meses da minha vida como um semi-sabático. É um sabático generoso, eu sei. Mas por outro lado é apenas semi, porque eu nunca parei de trabalhar, nem por um momento. Reduzi o ritmo, isso sim, e muito. Usei o tempo que sobrou para tamborilar pela vida.

Quando eu criei o Comma, lá em 2015, eu passava por um momento crítico da minha vida. Eu tinha 27 anos e tinha conseguido. Eu tinha alcançado justo aquilo que eu queria alcançar com o 360meridianos, o objetivo pelo qual eu havia trabalhado nos três últimos anos. E isso me fez feliz por muito tempo, mas o combustível que me move é feito de metas e horizontes e eu logo comecei a me perguntar “E agora, qual é o próximo Everest a escalar?”. A resposta vinha em branco.

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Compulsão obsessiva por cadernos

Eu tenho mania de comprar cadernos. Não sei quando eu percebi isso pela primeira vez, talvez tenha sido em um daqueles vários momentos em que paro entre as estantes de alguma papelaria e sento a textura de uma página em branco nas pontas dos dedos, implorando para ser preenchida com ideias.

Cadernos novos são amuletos de recomeço. As páginas em branco são opções em aberto. São a estrada nova que a gente acabou de pegar e ainda não sabe o que vai encontrar lá frente. São caminhos cheios de possibilidades inexploradas, que serão desvendadas conforme as letras que a gente colocar nelas. É por isso que eu amo os cadernos.

Se eu pudesse, eu começava um toda semana. Seria maravilhoso começar as segunda-feiras tendo tanta folha para completar. Como não posso, invento desculpas para justificar os reais gastos nas papelarias. Um projeto, uma nova fase, a hora de começar um diário, diferentes funções para diferentes bloquinhos. E é óbvio que eu acabo com uma coleção imensa porque é impossível preenchê-los na velocidade em que eu os compro.

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Ninguém dá a mínima pra Oxford Comma

Esse não era bem o título que eu estava procurando. Ter um blog já é uma evidência incontestável de narcisismo e a minha ideia era elevar isso a algumas potências. Já não bastassem as selfies e uma página inteira dedicada a apresentar a “autora”, meu nome ainda deveria ficar bem à mostra, em letras garrafais pairando acima de todo o resto. Mas nenhum esforço de criatividade foi suficiente para criar alguma coisa legal, inteligente e descolada que combinasse com Natália.

Natália. Que nome desajeitado! No dicionário de rimas, quase todas as palavras remetiam a alguma enfermidade ou termos de botânica. Anomalia, glossolalia, acefalia. Ainda bem que eu não inventei de namorar um poeta.

Não sei bem em que ponto da pesquisa eu fui tragada pelo buraco negro da Wikipedia e acabei em um verbete sobre regras de pontuação em inglês. E lá estava: Oxford Comma, uma mera vírgula que é capaz de levantar debates calorosos entre alguns dos maiores escritores, editores e acadêmicos do mundo. Uma controversia linguística. Pareceu apropriado.

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