O amor e a desilusão amorosa sempre  foram protagonistas de nossas manifestações artísticas,  porque, de uma forma mórbida e bizarra, sofrimento é poesia. E há décadas a música pop procura exprimir em palavras toda a angústia, a solidão e a ansiedade que sentimos.

“O que veio primeiro, a música ou a dor? Eu ouvia a música porque estava infeliz? Ou estava infeliz porque ouvia a música? Esses discos todos transformam você numa pessoa melancólica?

Ninguém se preocupa com o fato das crianças ouvirem milhares – literalmente milhares – de canções sobre amores perdidos e rejeições e dor e infelicidade e perda. As pessoas afetivamente mais infelizes que eu conheço são as que mais gostam de música pop;  e não sei se foi a música pop que causou tal infelicidade, mas sei que elas vêm ouvindo as canções tristes há mais tempo do que vêm vivendo suas vidas infelizes.”

– Alta Fidelidade, Nick Hornby

Acontece que já faz algum tempo que alguém entendeu o motivo dessa dor. E era tão simples:

 – Os Beatles.

– O que têm os Beatles?

– Eles sacaram.

– Sacaram o quê?

– Tudo!

– Como assim?

Dev tira o braço e o coloca no meu, pele com pele, suor com suor, toque com toque. Depois ele passa a mão na minha e entrelaça os dedos.

– Isto – diz ele. – É isto que os Beatles entendem.

– Acho que não estou acompanhando.

– Nas outras bandas, é sobre sexo. Ou dor. Ou uma fantasia qualquer. Mas os Beatles, eles sabiam o que estavam fazendo. Sabe por que os Beatles ficaram tão importantes?

– Por quê?

– I wanna hold your hand. O primeiro single. É brilhante, porra! Talvez a música mais brilhante que já foi composta no mundo! Porque eles sacaram. É o que todo mundo quer. Não sexo quente o dia todo, sete dias na semana. Nem um casamento que dure cem anos. Nem um Porsche, um boquete ou um barraco de um milhão de dólares. Eles só querem segurar sua mão. Eles têm um sentimento que não conseguem esconder. Cada canção de amor de sucesso dos últimos cinquenta anos pode remeter a I wanna hold your hand. E cada história de amor de sucesso tem esses momentos insuportáveis e intoleráveis de mãos dadas. Acredite em mim. Eu pensei muito nisso.

– I wanna hold your hand – repeti.

– Você já está segurando, meu amigo. Já está.

– Nick and Norah’s Infinite Playlist, Rachel Cohn e David Levithan

Holding Hands *_*

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