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“Lembre-se: quando alguém te diz que tem alguma coisa errada ou que algo não está funcionando na sua história, ele está quase sempre certo. Quando te dizem exatamente o que está está errado ou como consertar isso, eles estão quase sempre errados”

— NEIL GAIMAN

O caderno no qual Francis Coppola roterizou O Poderoso Chefão


Sobre a adaptação de O Poderoso Chefão para o cinema:

…Eu recomento que quando você lê um livro pela primeira vez, escreva algumas boas notas ao lado, direto no livro. Escreva o que você sentiu, sublinhe qualquer sensação forte que ele tenha te causado. Essas primeiras notas são valiosas. Então, quando você terminar o livro, você verá que algumas páginas estão cheias de partes sublinhadas e outras estão em branco.

No teatro, existe uma coisa chamada prompt book. O prompt book é o que o produtor usa, normalmente é um fichário com todas as pistas de iluminação do palco. Eu faço um prompt book de um livro. Em outras palavras, eu quebro o livro e colo todas as páginas em um fichário, normalmente dentro de um recorte quadrado para que eu possa ver dos dois lados das páginas do livro.

Eu tenho aquele livro cheio de notas que eu tomei. Então eu vou no fichário e escrevo muitas outras observações e notas. É quando eu começo a repassar tudo e sumarizar as partes que me pareceram importantes. E, naturalmente, você vê as partes menos importantes desaparecerem, ou que você tem muitos personagens de forma que você precisará eliminar ou combinar alguns deles. Trabalhando dessa forma, sendo mais específico com o que você pensa…. quando você terminar estará qualificado para, talvez, tentar escrever um rascunho baseado naquele caderno.

No caso do Poderoso Chefão, ainda que eu tivesse um roteiro, eu nunca o usei. Eu costumava levar sempre o meu caderno comigo e fiz o filme a partir dele.

Desafio de sexta: Reinvente um animal mitológico

Os mundos fantásticos são povoados por criaturas mágicas. Algumas dessas criaturas já possuem características universais tidas como obrigatórias, seja pelo alcance de suas lendas ou pela popularidade de alguma obra que as descreva. É o caso dos vampiros. Quando pensamos nesses seres das trevas, quase sempre temos a imagem do Conde Drácula criado pelo autor irlandês Bram Stoker ou das criaturas de Anne Rice. J.K. Rowling, no entanto, alterou a mitologia e os descreveu como seres quase cômicos, e claro, Stephanie Mayer os transformou em adolescentes que brilham sob o sol na série Crepúsculo.

Reinvente um animal mágico mitológico

Ainda que você tenha aprendido a imaginar unicórnios, duendes, dragões, fadas ou ogros de uma maneira específica, eles são apenas animais imaginários e nada impede que ganhem novas cores e formas a cada história. Seu desafio é escolher um desses seres fantásticos e descrevê-lo de uma forma original. Fique à vontade para imaginar também uma história na qual eles apareçam.

“Ambos os gêneros libertam o romancista das limitações do mundano, do banal, do que já é senso comum. Em contrapartida, a ficção científica demanda um certo rigor intelectual, enquanto a fantasia requer absoluta consistência de suas invenções”.

– URSULA K. LE GUIN

Um caderno é um bom lugar para ter más ideias

Essa é outra do Austin Kleon, de Roube como um Artista.

No momento em que escrevo, tenho cinco cadernos em processo de preenchimento: um bloquinho em espiral com a capa dura que levo na bolsa para todos os lugares e faço anotações aleatórias, um tipo Moleskine onde guardo todas as ideias de pautas ou histórias que tenho, um Leuchtturm1917 verde que serve de Bullet Journal, um bloco de anotações estilo legal pad que fica na minha mesa para rascunhos e notas rápidas que tomo quando preciso organizar meus pensamentos e, por último, meu xodó: um Midori Travel’s Notebook para diário. Esse e o bullet journal são os únicos que eu faço questão que sejam organizados e bonitos.

Mas eu só tenho esse tanto de caderno porque eu sou compulsiva.  Seja qual for o seu sistema, tenha você um Moleskine ou um tilibra capa mole, passe um tempo com seu caderno todos os dias. Escreve todos os seus pensamentos ruins, suas ideias absurdas. Sublinhe aquelas ideias que não pareçam tão ruins assim que você possa querer guardar para mais tarde, compartilhar com alguém, levar a diante de alguma forma. Preencha todas as páginas e depois jogue-o em um fogueira se quiser. Ninguém precisa saber.

Veja também o Tumblr com fotos dos cadernos do artista, pra te inspirar…

Desafio de sexta: A lista incompleta dos pequenos prazeres

No filme O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, a protagonista possui uma série de pequenos prazeres diários: mergulhar a mão em sacas de grão, partir o queimado do crème brûlée com a ponta da colher e fazer ricochetes na água do Canal St. Martin.  O designer Frank Chimero também tem uma lista do tipo: chamar as pessoas da família pela primeira letra do nome, reler algum livro, observar pontes.

Qual a sua lista de pequenos prazeres?

Escreve as pequenas coisas que te fazem feliz no dia a dia e compartilhe com a gente. Pode ser que você nem tenha dado atenção a algumas delas até esse momento.

Uma história não lida não é uma história, são as pequenas marcas pretas na madeira. O leitor, quando a lê, a vive: um ser vivo, a história. 

– URSULA K. LE GUIN

Resistência: porque escrever é tão difícil

É você e o cursor piscante na tela em branco. À sós. Você já mudou a fonte e a trilha sonora três vezes, percorreu a timeline do Facebook outras quatro e foi à cozinha buscar um café quando se lembrou de que ainda não está pronto para começar. É preciso antes pesquisar sobre o contexto histórico da sua história, descobrir o funcionamento minucioso daquela máquina que será uma peça chave no enredo. E você não sente segurança no pano de fundo de seus personagens até agora. Será que eles são complexos o bastante?

Quando eu era adolescente, escrever era fácil. Histórias saiam sem nenhuma dificuldade nas páginas dos meus cadernos. Poesias tingiam de tinta colorida todas as minhas agendas. Eu colecionava diários e fanfics. Mas aí, aconteceu o pior: começaram a me elogiar. Professores, família, amigos. Todos pareciam gostar de ler o que eu escrevia. Até arrumei um namoradinho por causa dos meus textos. Eu percebi que podia ser boa naquilo. Travei.  O que antes era uma diversão boba passou a ser uma obrigação. Eu morria de medo de escrever algo que as pessoas achassem ruim e que isso diminuísse a admiração delas. Durante anos, parei por completo.

Os anos passaram e com eles, diminuiu a vergonha. Mas, até hoje, de todas as atividades que eu preciso desenvolver no dia a dia, escrever é a que mais me custa começar. E nessa lista eu incluo a ida à academia. Por obrigação profissional, escrevo todos os dias. Ainda assim, meus projetos de escrita são constantemente jogados para o final da lista de afazeres. Repetem-se ali semana após semana, desculpa após desculpa. “Não dormi bem hoje”, “Preciso fazer essa outra coisa aqui antes”, “Quando eu terminar isso terei mais tempo para escrever com tranquilidade”. E nessa, meus contos, crônicas posts mais trabalhosos e criativos e projetos de livros nunca ganham vida.

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Desafio de sexta: Os desaparecidos

Todos os anos, 250 mil pessoas desaparecem no Brasil sem deixar rastro. Isso quer dizer que uma a cada 200 pessoas vai sumir ao longo da vida. 22 pessoas a cada 45 minutos. Números parecidos assombram os Estados Unidos. Veja o que o autor Jim Butcher, da série The Dresden Files, sobre um detetive bruxo, escreveu em seu livro Dead Beat :

“Apenas no último ano, nos EUA, mais de 900.000 pessoas foram dadas como desaparecidas e jamais encontradas… em uma população de 300 milhões de pessoas. Isso é uma pessoa desaparecendo a cada trezentas e vinte e cinco. Todos os anos… talvez seja coincidência, mas é quase a mesma taxa de perda entre animais de rebanho mortos por grandes predadores na savana africana.”

O que aconteceu com essas pessoas?

Seu desafio é encontrar uma explicação para esses desaparecimentos. Foi um predador de outro mundo? Abdução alienígena? Dimensões paralelas? Proponha uma solução para o mistério que converse com o mundo da fantasia ou da ficção científica.

Compartilhe sua resposta no seu blog ou diretamente nos comentários.

Fonte

Todo escritor é antes um observador do mundo. E é sobre isso que esse vídeo do TED-ED fala. Quais são as características anti-sociais que podem ajudar a criar melhores personagens e diálogos? Como utilizá-las no texto? Você provavelmente já esteve em uma conversa de amigos e sentiu vontade de anotar algumas das pérolas que eles soltam. Agora você vai saber porque você deve fazer isso e como colocar tudo no papel.

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