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Então, você quer ser um escritor? Poema de Charles Bukowski

se não vier explodindo de ti para fora
apesar de tudo,
não o faças.
a não ser que chegue sem tir-te nem guar-te do teu
coração e da tua mente e da tua boca
e das tuas entranhas
não o faças.
se tiveres de ficar sentado durante horas
fixando o ecrã do computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
à busca de palavras,
não o faças.
se o estás a fazer pelo dinheiro ou
pela fama,
não o faças.
se o estás a fazer porque queres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tiveres de te sentar a
rescrever tudo uma e outra vez,
não o faças.
se é uma carga de trabalhos só pensar no assunto,
não o faças.
se estás a tentar escrever como outra
pessoa,
esquece isso.

se tiveres de esperar que venha rugindo de
ti para fora,
então aguarda pacientemente.
se nunca vier rugindo de ti para fora,
faz outra coisa qualquer.

se antes tiveres de o ler à tua mulher
ou à tua namorada ou ao teu namorado
ou aos teus pais ou a quem quer que seja,
não estás pronto.

não sejas como outros tantos escritores,
não sejas como outros tantos milhares de
pessoas que se intitulam escritores,
não sejas monótono e aborrecido e
pretensioso, não te deixes consumir por amor-próprio.
as bibliotecas do mundo
de tanto bocejar
adormeceram
graças aos da tua laia.
não te juntes a eles.
não o faças.
a não ser que saia da
tua alma que nem um foguete,
a não ser que estar parado
te levasse à loucura ou
ao suicídio ou ao homicídio,
não o faças.
a não ser que o sol dentro de ti esteja
a queimar as tuas entranhas,
não o faças.

quando chegar verdadeiramente o momento,
e se tiveres sido eleito,
far-se-á
sozinho e assim continuará
até que morras ou até que morra em ti.

não existe outra maneira.

nem nunca houve.

Charles Bukowski

Tradução de João Coles

Ação Poética, a inspiração que vem das ruas

Paredes brancas, letras negras, frases belamente construídas. Talvez você já tenha se deparado com uma intervenção dessas nos muros da sua cidade. Essas obras, sempre escritas por algum artista urbano inspirado, fazem parte de um movimento global, a Ação Poética.

Há cerca de 20 anos, o poeta mexicano Armando Alanís Prado resolveu sair pelas ruas de Monterrey, onde vivia, para colocar um pouco de poesia nos muros. Ele começou escrevendo poemas longos, mas logo se deu conta de que tanto texto acabava deixando sua ação distante das pessoas que estavam com pressa. Ele então mudou sua forma de escrever e resolveu a colocar versos mais curtos. Assim, a iniciativa começou a atrair os olhares e a curiosidade das pessoas que passavam por elas e logo a Acción Poética se disseminou pelo país e pelo mundo.

O movimento defende que a palavra é um bem comum e deve ser valorizado, aberta ao conhecimento e à reação do público. A intenção é causar sensações através da poesia e com ela arrancar sorrisos dos leitores, por isso, as frases pintadas costumam ser sobre sentimentos universais, como o amor.

A Ação Poética não tem dono. Qualquer um pode participar. Baster ter um muro branco (com autorização dos donos), uma tinta preta e uma ideia na cabeça. A rua é um convite.

Ação Poética- Badalona

Ação Poética

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Ação Poética - Bailemos

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Ação Poética 5

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Ação Poética

Ação Poética

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O concurso literário Gritos Contidos – Prêmio Coruja Escritora está com inscrições abertas até 15 de setembro. O concurso contemplará os três melhores poemas com prêmios em dinheiro e a entrega de medalhas, além da publicação da antologia com os 250 melhores poemas e sarau com os 20 melhores em cerimônia de Premiação com coquetel no dia 30 de novembro de 2016 no Rio de Janeiro.

Premiação: 1º lugar – R$3.000,00 – 2º lugar – R$2.000,00 – 3º lugar – R$1.000,00

Inscrições aqui.

A Coruja Escritora também estará presente na 24a Bienal do Livro que ocorre entre 26 de agosto e 4 de setembro em São Paulo.

“Agora eu sei que a regra número 1 para ser interessante é parecer inabalável, nunca admitir que algo o amedronta ou o impressiona ou o entusiasma. Alguém uma vez me disse que é como caminhar pela vida assim. Você se protege de todos os sofrimentos inesperados ou mágoas que possam surgir. Mas eu tento caminhar pela vida assim. E sim, isso significa ir pegando todas os sofrimentos e mágoas, mas também significa que quando lindas, maravilhosas coisas simplesmente caem do céu, eu estou pronta para pegá-las. Uso poesia falada para ajudar meus alunos redescobrir o encantamento, combater seus instintos de ser o interessante e inabalável e, ao contrário, ativamente se envolver com o que está ao seu redor, para que possam reinterpretar e criar algo disso.”

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