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Minha receita para curar o bloqueio do escritor é encarar o fato de que isso não existe. É uma condição inventada, um versão literária da desculpa judicial. Escrever bem é difícil, mas sempre é possível escrever algo. E depois, com um monte de trabalho, torná-lo melhor. É uma questão de ter desejo e ambição suficientes, não de esperar superar essa histeria misteriosa da qual as pessoas tanto falam.
– THOMAS MALLON

Como os cenários e as histórias de Cartagena das Índias influenciaram García Márquez

Não, você não entrou no blog errado. Esse não é um post para o 360meridianos. É verdade que, esses dias mesmo, esse tema apareceu por lá. Montei um pequeno roteiro para fãs do Gabriel García Márquez com alguns cenários de seus livros e lugares que marcaram sua passagem por Cartagena das Índias. A pesquisa me mostrou a raiz de suas ideias, de como ele transformava pequenos casos e personagens da cidade em grandes história, e isso me fez refletir sobre o trabalho de escrita: absorver a realidade e transformá-la em palavras bonitas em um papel.

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“Se você vai tentar aprender de outros escritores, não leia apenas os muito bons, porque se você fizer isso, você vai ser tão tomado pelo desespero e o medo de nunca ser capaz de fazer tão bem quanto eles que deixará de escrever. Eu recomendo que você leia um monte de coisas ruins também. É bastante encorajador. “Ei, eu posso fazer muito melhor que isso!”. Leia as melhores coisas, mas leia também as coisas que não são tão boas. Coisas excelentes são bastante desanimadoras.”
EDWARD ALBEE

“Talento é insignificante. Eu conheço um monte de talentos arruinados. Para além do talento estão todas as essas palavras habituais: disciplina, amor, sorte e, mais que tudo, perseverança”.

– James Baldwin

“De onde você tira suas ideias?”: Neil Gaiman sobre seu processo criativo

“Cada profissão tem suas armadilhas. Médicos, por exemplo, sempre são perguntados por conselhos de saúde grátis, advogados recebem pedidos de informações legais, coveiros sempre escutam como sua profissão deve ser interessante e depois disso as pessoas mudam de assunto rapidamente. E escritores precisam responder de onde eles tiram suas ideias.

No começo, eu costumava dar respostas não muito divertidas, impertinentes: “Do Clube das Ideias do Mês”, eu dizia, ou “Da pequena loja de ideias em Bognor Regis”, “De um velho livro empoeirados cheio de ideias no meu porão”, ou mesmo “De Pete Atkins”. (A última é um pouco esotérica, e pode requerer alguma explicação. Pete Atkins é um roteirista e novelista amigo meu, e nós decidimos há algum tempo que quando nos perguntassem, eu diria que tirava as ideias dele e ele de mim. Parecia fazer sentido na época).

Então eu me cansei dessas respostas não tão engraçadas, e agora eu digo a verdade:

“Eu invento”, eu digo “da minha cabeça”.

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“Regras como ‘escreva sobre o que você conhece’ e ‘mostre, não conte’, ainda que sem dúvidas sejam fincadas no bom senso, podem ser ignoradas com impunidade por qualquer novelista esperto o suficiente para se safar disso. Existe, na verdade, apenas uma regra na ficção: qualquer coisa que funcionar pra você, funciona”. 

– TOM ROBBINS

“A principal regra para a escrita é que se você fizer isso com segurança suficiente, você pode fazer o que você quiser. (Essa talvez seja também uma regra para a vida. Mas é definitivamente verdade para a escrita.) Então escreva sua história como se ela precisasse ser escrita. Escreva isso de forma honesta, e conte-a da melhor forma que você puder. Eu não tenho certeza se existe alguma outra regra. Não alguma que importe.”

— NEIL GAIMAN

“Lembre-se: quando alguém te diz que tem alguma coisa errada ou que algo não está funcionando na sua história, ele está quase sempre certo. Quando te dizem exatamente o que está está errado ou como consertar isso, eles estão quase sempre errados”

— NEIL GAIMAN

Um caderno é um bom lugar para ter más ideias

Essa é outra do Austin Kleon, de Roube como um Artista.

No momento em que escrevo, tenho cinco cadernos em processo de preenchimento: um bloquinho em espiral com a capa dura que levo na bolsa para todos os lugares e faço anotações aleatórias, um tipo Moleskine onde guardo todas as ideias de pautas ou histórias que tenho, um Leuchtturm1917 verde que serve de Bullet Journal, um bloco de anotações estilo legal pad que fica na minha mesa para rascunhos e notas rápidas que tomo quando preciso organizar meus pensamentos e, por último, meu xodó: um Midori Travel’s Notebook para diário. Esse e o bullet journal são os únicos que eu faço questão que sejam organizados e bonitos.

Mas eu só tenho esse tanto de caderno porque eu sou compulsiva.  Seja qual for o seu sistema, tenha você um Moleskine ou um tilibra capa mole, passe um tempo com seu caderno todos os dias. Escreve todos os seus pensamentos ruins, suas ideias absurdas. Sublinhe aquelas ideias que não pareçam tão ruins assim que você possa querer guardar para mais tarde, compartilhar com alguém, levar a diante de alguma forma. Preencha todas as páginas e depois jogue-o em um fogueira se quiser. Ninguém precisa saber.

Veja também o Tumblr com fotos dos cadernos do artista, pra te inspirar…

Resistência: porque escrever é tão difícil

É você e o cursor piscante na tela em branco. À sós. Você já mudou a fonte e a trilha sonora três vezes, percorreu a timeline do Facebook outras quatro e foi à cozinha buscar um café quando se lembrou de que ainda não está pronto para começar. É preciso antes pesquisar sobre o contexto histórico da sua história, descobrir o funcionamento minucioso daquela máquina que será uma peça chave no enredo. E você não sente segurança no pano de fundo de seus personagens até agora. Será que eles são complexos o bastante?

Quando eu era adolescente, escrever era fácil. Histórias saiam sem nenhuma dificuldade nas páginas dos meus cadernos. Poesias tingiam de tinta colorida todas as minhas agendas. Eu colecionava diários e fanfics. Mas aí, aconteceu o pior: começaram a me elogiar. Professores, família, amigos. Todos pareciam gostar de ler o que eu escrevia. Até arrumei um namoradinho por causa dos meus textos. Eu percebi que podia ser boa naquilo. Travei.  O que antes era uma diversão boba passou a ser uma obrigação. Eu morria de medo de escrever algo que as pessoas achassem ruim e que isso diminuísse a admiração delas. Durante anos, parei por completo.

Os anos passaram e com eles, diminuiu a vergonha. Mas, até hoje, de todas as atividades que eu preciso desenvolver no dia a dia, escrever é a que mais me custa começar. E nessa lista eu incluo a ida à academia. Por obrigação profissional, escrevo todos os dias. Ainda assim, meus projetos de escrita são constantemente jogados para o final da lista de afazeres. Repetem-se ali semana após semana, desculpa após desculpa. “Não dormi bem hoje”, “Preciso fazer essa outra coisa aqui antes”, “Quando eu terminar isso terei mais tempo para escrever com tranquilidade”. E nessa, meus contos, crônicas posts mais trabalhosos e criativos e projetos de livros nunca ganham vida.

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